Conselho da IMC recomenda que acionistas rejeitem OPA

Em mais um capítulo da tentativa de unir seus negócios aos da International Meal Company (IMC), a Sapore, uma das maiores companhias de restaurantes corporativos do país, aceitou apresentar os resultados da diligência feita este ano na empresa, desde que a dona das redes Viena e Frango Assado faça o mesmo. O conselho da IMC, por sua vez, recomendou aos acionistas que não aceitem a oferta pública de aquisição de ações (OPA) lançada pela Sapore.

O objetivo da Sapore com a OPA é comprar cerca de 40% da IMC. Na sequência, vai apresentar uma proposta para unir as duas empresas. É a terceira vez este ano que a companhia tenta essa combinação. Uma fusão chegou a ser anunciada em junho, mas a IMC rescindiu o acordo em setembro, após processo de diligência nas duas operações.

Em carta enviada na noite de segunda-feira ao conselho de administração da IMC, a Sapore afirma que permitirá que os acionistas da dona da rede Frango Assado tenham acesso às informações das duas empresas e decidam por si sobre os “méritos e potenciais riscos de uma eventual combinação de negócios”, sem viés da administração. Para a Sapore, foram ignorados “relevantes esclarecimentos e informações apresentados”.

A empresa informou que divulgará o relatório da ‘due dilligence’ desde que isso seja feito “única e exclusivamente, de forma individual, aos acionistas da IMC que o solicitarem e comprovarem tal qualidade nos mesmos termos exigidos em assembleias gerais da IMC”. Estes investidores devem entregar um acordo de confidencialidade que proíba a divulgação total ou parcial das informações por cinco anos. A Sapore exige, ainda, que o relatório não contenha dados incompletos, especulativos ou infundados. A IMC também deve manter uma lista com nome e informações de contato de cada um que recebeu o documento, que deve estar disponível até 19 de dezembro. De acordo com o proposto pela Sapore, a dona da rede Frango Assado deve seguir as mesmas condições.

O conselho da IMC já havia dito em correspondência em 29 novembro que “foram justamente os resultados da auditoria feita na Sapore que motivaram a renúncia do referido acordo de associação pela companhia em setembro passado”.

Em parecer publicado na madrugada de segunda para terça-feira, o colegiado recomendou que os acionistas da IMC não aceitem a OPA. Considera que faltam informações sobre a combinação dos negócios e afirma que a Sapore não assegurou que custos e despesas da oferta, inclusive de financiamento, não serão transferidos à IMC.

“Na opinião do conselho de administração, a ausência de informações pode constituir-se em pressão indevida sobre os acionistas, para que alienem suas ações como forma de evitar riscos futuros que não podem determinar neste momento, à luz dos poucos elementos disponíveis sobre a combinação de negócios”, diz o documento.

Para o conselho, o preço por ação ofertado, de R$ 8,63, deveria ser considerado vantajoso para que a recomendação favorável seja feita. O Itaú BBA, considerou que o preço oferecido na OPA está na metade inferior do intervalo de avaliação. “Assim, o preço ofertado na OPA não compensa, com base nas análises feitas, os riscos decorrentes de tratar-se de uma OPA parcial, a ser sucedida por uma combinação de negócios sobre a qual não foram prestadas suficientes informações”, avalia. Para um acionista que pediu anonimato, é difícil algum minoritário ser contra a recomendação do conselho. “É tomar um risco desnecessário”, afirmou a fonte.

O edital com os termos da oferta pelas ações da IMC foi publicado pela Sapore em 19 de novembro. A IMC, por sua vez, convocou para 13 de dezembro uma assembleia para a inclusão de uma cláusula de proteção à dispersão acionária no estatuto da companhia, conhecida no mercado como “pílula de veneno”.

A Sapore rebate o argumento de falta de informações, observando que a OPA já foi lançada e seus termos e condições são conhecidos. Por outro lado, não existe definição sobre as condições de uma potencial combinação de negócios, mas reafirmou seu desejo de discuti-los. A Sapore esclareceu que não existem informações adicionais neste momento sobre a eventual combinação dos negócios, como questionado pelo conselho da IMC e que é preciso se aguardar o “efetivo engajamento da IMC para que sejam negociados e definidos seus termos e condições”.

Fonte: Valor Econômico

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO