Comprar Empresas Endividadas. Oportunidade ou Risco?

A maioria dos investidores e empresários quer distância de empresas que tenham dívidas. As rotulam como “empresas problemáticas”, com alto de risco de perderem dinheiro, se incomodarem e serem, por óbvio, responsável pelo pagamento integral de dívidas que não contraíram, inclusive, respondendo com o patrimônio pessoal, caso a companhia não disponha de ativos suficientes para saldar os débitos. Tudo isto é verdade, mas nem tudo é risco. Há também grandes oportunidades. E, neste cenário, navegam ainda poucos empresários dispostos a comprarem empresas em dificuldade, para melhorar a sua gestão, torná-las mais competitivas, criarem valor e, naturalmente, vendê-las lá na frente ou até mesmo seguir, a partir delas, fazendo novas aquisições.

Fala-se muito que são empresários adeptos a riscos. Mas engana-se quem acha que são apostas cegas e especulativas. São empresários preparados, que farejam oportunidades, estudam profundamente o negócio e o mercado e sabem negociar. Eles tem ainda a vantagem de comprar a operação pagando somente parte do preço e assumindo, por outro lado, parte ou totalidade da dívida. Como consequência é pouco dinheiro no bolso do vendedor e capital direcionado à operação. Com nova energia, diretrizes e discurso é mais fácil para os novos donos dialogarem com os credores, que geralmente possuem um histórico de relações desgastadas com a antiga gestão. Com isso eles obtêm mais carência, deságio e bons parcelamentos. As pessoas voltam a ter esperança no negócio e isso facilita a articulação dos donos com todos os envolvidos e interessados, enquadrando-os em um novo plano de negócio. Quem entra deve ter o cuidado com os passivos fiscais, previdenciários, trabalhistas, bancários e com fornecedores. Muitos esquecem ainda os possíveis passivos ambientais e regulatórios, conforme a peculiaridade das atividades e o famigerado “passivo oculto” que sempre está na espreita deste tipo de negócio. Para isto a análise do fluxo do caixa, bens da própria empresa não alienados que possam servir como garantia, índices de solvência e percepção do mercado quanto a sua credibilidade são questões essenciais que podem ajudar o novo dono a “pagar” a conta, com o próprio caixa da empresa adquirida.

Fabrício Nedel Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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1COMENTÁRIO
  • Joao Paulo Borges Lisboa
    10 de julho de 2020

    Muito bem colocado!
    Estou nesse cenário!
    Análise e sorte!

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