Com plano de criar marketplace alimentar, GPA faz aquisição

O Grupo Pão de Açúcar começa a estruturar um modelo de marketplace alimentar, espécie de shopping virtual onde lojistas vendem pelo site da empresa diferentes mercadorias. Esse é um segmento ainda não explorado pelo grupo e, para avançar no projeto, a empresa precisa montar um sistema digital mais robusto.

Dentro desse plano, o GPA anunciou ontem a aquisição do James Delivery, um “superapp”, aplicativo que reúne diversas funcionalidades em um único ambiente virtual, com encomenda e entrega de produtos de restaurantes, drogarias e supermercados. É um investimento na chamada “última milha”, a fase final de entrega do produto ao consumidor. “Este é um passo dentro da visão de criarmos um grande marketplace de varejo alimentar no país, de termos uma única plataforma para integrar o varejo como um todo. O James Delivery é parte desse projeto”, disse ontem Peter Estermann, presidente do grupo varejista.

Há um mês, o GPA anunciou outro acordo que dá direito à empresa de adquirir o controle da Cheftime, serviço on-line de assinatura e venda de receitas. Num movimento estratégico semelhante, também em novembro, o Carrefour comprou uma startup, com três sites, na área culinária. No mundo, Walmart, Kroger e Amazon lideram uma disputa no mercado digital alimentar nos EUA, e na Ásia, Alibaba e JD vêm testando inovações no marketplace alimentar.

No GPA, foram dois meses de negociação com os quatro sócios do James Delivery, que teve 100% do controle adquirido por valor não revelado. A operação não será inicialmente integrada ao GPA, mas os sócios da startup passam a ser diretores executivos do grupo. O James deve continuar operando de forma independente, com a atual equipe de 18 pessoas, e num prazo de três ou quatro anos, pode se integrar ao GPA, a depender da evolução do negócio. É uma forma de “proteger” o modelo de gestão da startup até ela ganhar escala.

Todos os contratos do James serão mantidos, mas o GPA será a única varejista alimentar da carteira de clientes – a empresa não tinha contratos com supermercados. O James não informou faturamento anual.

Os sócios da startup permanecem na gestão por três anos, quando condições e metas do acordo voltam a ser analisadas. Por meio aplicativo, o cliente escolhe a loja e os produtos que precisa (são 500 contratos com lojistas e redes, como Bob’s, Livrarias Curitiba, McDonald’s) e a empresa faz a retirada e a entrega. São 700 entregadores. A atuação hoje é limitada apenas a Curitiba e Balneário Camboriú (SC), com uma base de operação menor que iFood, Glovo ou Rappi. A intenção é estar em todos os Estados mais relevantes, como São Paulo, em 2019.

Um acordo anterior, fechado entre GPA e Rappi, está sendo revisto. “A parceria[com a Rappi] vai diminuir. O que aconteceu é que depois de fecharmos essa operação [com a Rappi], dez meses atrás, o mercado evoluiu muito, e percebemos que precisávamos buscar um negócio mais dentro da nossa estratégia multicanal e de modelo mais integrado. [O varejo alimentar digital] ainda está a léguas de distância de outros varejos, mas está mudando muito rápido e estamos tendo que nos adaptar a isso”, afirmou Estermann.

Um dos principais interesses dos GPA na aquisição está na tecnologia e na base de dados gerada dentro da operação do James, criado em 2016 e presidido por Lucas Ceschin. As aquisições “encurtam” o salto que as varejistas precisam dar para tentar criar negócios digitais e realmente integrados. Target e Walmart vem tentando fazer isso nos EUA, assim como a Audi na Europa, por meio de acordos com empresas de tecnologia, especialmente na “última milha”.

É esse espaço que cobre a intervalo entre a loja ou o centro de distribuição e a casa do cliente. É ali que os serviços podem se destacar – quem faz a “ultima milha” de forma mais eficiente e competitiva está saindo na frente no setor.

O GPA pode repetir a estratégia de buscar startups no mercado e adquirir negócios que façam sentido dentro dessa estrutura digital. No Brasil, o Carrefour anunciou um plano de transformação digital, com foco maior no marketplace de venda de bens duráveis – a empresa não tem plano de marketplace alimentar neste momento, vendendo alimentos de outras lojas que não sejam o Carrefour.

Fonte: Valor Econômico

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