Com aporte da Kinea, Matera mira mercado americano

Com aporte da Kinea, Matera mira mercado americano

A gestora de private equity Kinea fechou sua primeira transação em tecnologia, com a compra de participação minoritária na Matera, por meio de um aporte de R$ 100 milhões na companhia. A Matera é uma das maiores empresas de soluções de tecnologia para o mercado financeiro e varejo – com clientes como C6, Nubank, Conta Zap e Magazine Luiza.

A Matera fornece o software e as atualizações do serviço conforme as regulações do Banco Central. “É como se fôssemos a fabricante de avião e o banco ou fintech a companhia aérea. Fornecemos a estrutura de tecnologia que permite ao banco funcionar”, explica Carlos Netto, presidente da Matera. “A empresa foca no cliente dela, na experiência digital, e a gente cumpre as exigências de sistemas e processos.” São mais de cem instituições usando o software da empresa no Brasil.

A abertura de mercado feita pelo Banco Central em 2013, com o arranjo de pagamento, gerou novos nichos de clientes. “Tirou do banco a conta corrente. E, com o pagamento instantâneo, a gente cresce mais ainda”, diz. “Fintechs, varejistas, querem ter instrumentos de pagamento dentro de casa, o que já é uma expansão de demanda. Outra é a migração do plástico para o digital”, complementa Eduardo Marrachine, diretor da Kinea na área de private equity.

Mas os recursos da Kinea devem ser usados principalmente para a expansão no mercado americano. Nos moldes do BC, que quer o lançamento do pagamento instantâneo no Brasil em novembro deste ano, o Federal Reserve anunciou o FedNow, que segue a mesma linha e será implementado em 2024.

“Temos o modelo mais completo para isso porque buscamos as experiências de outros players também, de mercados como Tailândia e Índia, então podemos aproveitar essa mudança”, diz Netto. Para o fundador e a gestora, as oportunidades estão nas criações de contas digitais e meios de pagamento para a indústria que vai além de banco – caso do varejo, no Brasil – e também para as instituições financeiras regionais, que ficavam com atuação geográfica limitada às agências bancárias.

A empresa foi criada há mais de 30 anos e foi se transformando nesse período, conforme as demandas de mercado e inovações tecnológicas. O negócio começou com cinco sócios, em meio ao Plano Collor. “Depois só ficaram os sócios solteiros porque os casados precisavam arrumar emprego, enquanto a gente almoçava esfiha, dividia apartamento e tentava deixar a empresa de pé”, conta Netto. O outro sócio é Carlos André Guimarães, que também tinha concluído à época o curso de Ciência da Computação na Unicamp.

A Matera também tem atuação no Canadá, onde é feita a produção de software. Netto tem ainda a patente, no Brasil e nos Estados Unidos, de um mecanismo de pagamento por celular sem uso de internet. No mercado americano, já encontrou interessados nesse produto, como casas de eventos e vendedores ambulantes. No Brasil, começou a ser testado por startups. Em 2019, a receita total de subscrição (que é o faturamento recorrente) e serviços da empresa atingiu R$ 133 milhões. A receita da unidade de negócios que atende o segmento de bancos digitais, fintechs e varejo cresceu mais de 40%, atingindo R$ 42 milhões.

A companhia, que teve a Vinci Partners como assessor financeiro na transação, continuará a ser controlada pelos sócios fundadores. A negociação durou cerca de um ano e meio. A Matera chegou a avaliar propostas de outros fundos, assim como a Kinea estava olhando outras possibilidades no setor de tecnologia. “Não é fácil passar pelo crivo da Kinea. Minha filha passou no vestibular agora e brinco que a sensação é que passei no meu vestibular também”, diz Netto.

Tecnologia é um alvo novo no portfólio da Kinea, que foi criada em 2007 e tem o Itaú com um dos acionistas. Nos últimos anos, a gestora fez investimentos principalmente nos setores de saúde, educação, varejo e serviços, sempre com participação minoritária. Entre suas transações mais recentes, investiu na operadora de saúde gaúcha CCG, na holding de educação Grupo A, na rede de ensino de inglês Wiser e na Dimed, distribuidora farmacêutica dona da rede de drogarias Panvel. Segundo Marrachine, o aporte na Matera foi feito pelo fundo 4, captado em meados de 2018.

Fonte: Valor Econômico

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