CDPQ visa mais ativos no Brasil

O fundo de pensão canadense Caisse de Depôt et Placement du Québec (CDPQ) tem planos para fazer mais investimentos no Brasil depois de ter comprado 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) em consórcio com a francesa Engie no início de abril. Ao Valor, o vice-presidente da divisão de infraestrutura do fundo de pensão, Emmanuel Jaclot, disse que há interesse em “todos os setores” desde que sejam “boas oportunidades” de longo prazo. E o setor de infraestrutura desponta entre os potenciais alvos.

“O Brasil, considerando o contexto atual e perspectivas futuras, demanda um grande volume de investimento em infraestrutura. Combinado com a consolidação do setor, oferece um interessante caso de investimento para o CDPQ”, disse. Entre as áreas de interesse estão energia, logística, transporte e saneamento.

Fundado em 1965, o Caisse, como é conhecido, tem 309,5 bilhões de dólares canadenses (US$ 231,2 bilhões) sob gestão e é a segunda maior entidade do Canadá. O maior é o Canada Pension Plan (CPP), que gere 368,5 bilhões de dólares canadenses. O CDPQ administra ativos de vários fundos de pensão e seguradoras do Canadá, com mais de 6 milhões de participantes. Os investimentos estão distribuídos em mais de 60 países. E cerca de 66% deles estão alocados nos Estados Unidos e no Canadá e os chamados “mercados em crescimento” representam 13,6%.

O fundo aumentou sua exposição em ativos de menor liquidez – que além de infraestrutura incluem private equity e construção civil – de forma gradual a partir de 2013. Somente o portfólio de infraestrutura alcançou 22,7 bilhões de dólares canadenses em investimentos na Austrália, Índia, Europa, Estados Unidos, Canadá e México.

No Brasil, o primeiro passo se deu em abril, com a compra de 90% da TAG, em consórcio com a Engie, por US$ 8,6 bilhões. O negócio é uma grande oportunidade para o fundo de pensão, diz o executivo. Segundo ele, além da associação com o grupo francês que tem alta expertise no setor, adiciona ativo estratégico ao portfólio.

O interesse para investir mais em infraestrutura leva a entidade a aumentar seus esforços em mercados emergentes como Colômbia e México, além do Brasil. Para reforçar este posicionamento, contratou recentemente o brasileiro Eduardo Farhat como vice-presidente de infraestrutura para a América Latina, um executivo com experiência de 25 anos no setor.

“O CDPQ investe globalmente, incluindo na América Latina. Em cada região, buscamos parceiros e oportunidades para investir quando estiverem alinhados com nossos critérios. A chegada de Farhat claramente demonstra nosso compromisso com a região, e mais, fortalece nossas capacidades, no Brasil em particular”, afirmou o executivo.

O governo brasileiro está discutindo um pacote de medidas para abertura do mercado de gás, o que pode incluir a saída da Petrobras de gasodutos e distribuidoras. Questionado sobre o potencial interesse nesses ativos, Jaclot afirmou que o fundo analisa se as oportunidades estão de acordo com os seus critérios. “Há um conjunto de oportunidades no Brasil.”

Antes de comprar a TAG, o Caisse já atuava no Brasil há mais de 10 anos, com investimentos em shoppings centers e edifícios corporativos por meio da Ancar Ivanhoé. Mais recentemente, anunciou uma joint venture com a Prologis para ativos de logística, além de ter participações em empresas listadas em bolsa e também private equity.

Fonte: Valor Econômico

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