Brasil está perto de voltar à moda e recuperar espaço perdido, diz BTG

A expectativa de uma agenda liberal do novo governo e de volatilidade relativamente sob controle nos mercados internacionais apontam para um cenário “construtivo” para o mercado de capitais brasileiro. Essa é a avaliação do banco BTG Pactual, que já teve aumento de demanda de companhias buscando se preparar para emissões de ações no início do ano. “O Brasil está muito perto de voltar à moda”, diz Fábio Nazari, chefe de mercado de capitais para ações e sócio do BTG.

Uma das razões para o otimismo é o patamar mínimo atual de capital estrangeiro alocado em bolsa brasileira e também a baixa exposição dos gestores locais a ações – tendendo ao crescimento. Nas contas do banco, se o volume de exposição voltar ao patamar de 2010, por exemplo, são nada menos de US$ 194 bilhões, correspondente a R$ 736 bilhões.

“Essa alocação foi desidratando nos últimos anos. Os fundos dedicados a América Latina foram praticamente dizimados e os globais reduziram muito”, diz Nazari. “É claro que não volta tudo de uma vez. Mas, uma vez aqui, também não saem repentinamente.”

De novembro de 2010 para novembro de 2018, a participação de ações brasileiras em fundos globais caiu de 2,2% para 0,4%. Em fundos de emergentes, foi de 16% para 6,4%, em fundos sob o chapéu BRICs recuou de 33,4% para 13,4% e, em fundos dedicados a América Latina, foi reduzida de 64,7% para 55,3%.

A retomada de participação representaria por si só um fluxo de entrada de US$ 97,1 bilhões. “E isso considerando o mesmo volume atual. O que acreditamos, no entanto, é que esse bolo tende a crescer e a fatia do Brasil também.”

A alocação de gestores brasileiros em ações também está pequena no comparativo histórico. É especialmente baixa quando considerada a taxa Selic na mínima – o que, teoricamente, faria os investimentos migrarem para a bolsa. Com a Selic a 6,5%, a alocação em ações dos gestores representa 9,2% dos recursos totais. Em 2007, chegou a 22%, quando a Selic estava em 12%.

“Considerando o volume alocado pelos gestores brasileiros em 2010, o fluxo seria de R$ 367,5 bilhões [cerca de US$ 96,7 bilhões] adicionais para a bolsa. Se for para o mesmo patamar de 2014, seriam R$ 107,5 bilhões”, afirma Nazari.

Para o executivo, cabem mais 100 empresas listadas na B3 nos próximos quatro anos. “Uma fração disso já está pronta, mas outras começam a se preparar e, se houver uma abertura de fato de mercado, podem aproveitar essa oportunidade”, diz ele. “Podemos finalmente ter recorrência de ofertas, o que não acontece desde 2010. De lá para cá, o que tivemos foram apenas janelas.”

O banco projeta 20 operações de ações para o próximo ano, a maior parte de ofertas subsequentes. Segundo o executivo, são empresas que não necessariamente precisam de capital agora, mas que querem aproveitar a oportunidade de captar após a valorização em bolsa. “A bolsa navegou por quase 18 meses entre 60 mil e 70 mil pontos e subiu para 90 mil. Para a empresa que teve essa mesma valorização, a captação representa menor diluição”, explica.

A perspectiva também considera que, no cenário de América Latina e de emergentes, o Brasil tem hoje uma vantagem em relação a outros mercados. “De certa forma, o Brasil foi o México nos últimos anos. Com o país em recessão, os investidores regionais migraram para lá”, avalia Nazari. A mudança de governo no México, no entanto, deixou os investidores mais cautelosos com o país. Na Argentina, a animação com as intenções e velocidade das decisões do governo também durou pouco. “No Brasil, as empresas corrigiram suas expectativas de crescimento de receita e rentabilidade e houve uma forte
desalavancagem dos balanços”, complementa.

O executivo ressalta que a dinâmica referente à economia dos Estados Unidos é um risco no cenário otimista para Brasil, assim como a agenda positiva do governo não se concretizar. “Estruturalmente, o jogo global comanda. Conjunturalmente, não podemos ter um susto aqui”, avalia. “Saberemos isso em questão de meses.” O cenário base do banco, no entanto, não é de um “soluço” no mercado doméstico e nada “drástico” na frente internacional.

Fonte: Valor Econômico

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO