BHP considera vender fatia na Samarco, diz fonte

A mineradora anglo-australiana BHP Billiton não descarta a possibilidade de se desfazer de sua fatia da mineradora Samarco, afirmou nesta quarta-feira ao Valor uma pessoa familiarizada com discussões em curso. A informação foi divulgada mais cedo pela agência “Bloomberg”.

A Samarco pertence à BHP e à Vale e uma eventual saída da anglo-australiana abriria caminho para que a empresa brasileira passasse a deter 100% do capital.

Executivos das duas gigantes globais do mercado de minério de ferro mantiveram conversas ao longo do ano passado a respeito do futuro da sociedade, mas nada foi definido. Segundo a mesma fonte, uma eventual mudança societária só ocorrerá se for encontrada uma solução que atenda a interesses comerciais da BHP e da Vale.

A Samarco está parada desde novembro de 2015 após o desmoronamento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana (MG).

Para a Vale, tornar-se acionista exclusiva da Samarco poderia fazer sentido, uma vez que já extrai minério de ferro em uma mina vizinha, na região de Mariana. Já para a BHP, abrir mão da Samarco seria deixar seu único ativo no Brasil.

As reservas de minério de ferro da Samarco são de boa qualidade e em quantidade suficiente para durar décadas. A empresa era — até antes do desastre — um dos maiores produtores de pelotas de ferro do mundo, totalmente exportado para siderurgias.

O problema é que depois da tragédia a Samarco parou de gerar caixa e não há ainda uma previsão clara sobre quando terá todas as licenças necessárias para poder voltar a operar.

E a BHP tem dito que, assim como no caso de qualquer outro ativo, sua participação na Samarco continuará se fizer sentido comercialmente, afirmou a fonte ouvida pela reportagem em condição de anonimato por não ter autorização para tratar do tema publicamente.

O que hoje parece ter menos chances de ocorrer é um novo sócio ficar com a parte da BHP — caso ela venha mesmo deixar a Samarco. Seria uma operação complexa por causa do ônus do desastre, que é uma questão central em uma eventual movimentação societária. Tanto BHP quanto Vale tem reafirmado seu compromisso com medidas acordadas com autoridades brasileiras em investir em reparação e compensação pelos danos sociais, econômicos e ambientais provocados pelo desmoronamento de Fundão. Dezenove pessoas morreram no desastre.

Procuradas, Samarco, Vale e BHP informaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que não fariam comentários sobre o assunto.

Fonte: Valor

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