BB&T compra SunTrust e forma 6º maior banco dos EUA

O banco BB&T fechou um negócio pelo qual vai adquirir o SunTrust Banks. A operação vai unir duas potências de crédito regionais, para criar o sexto maior banco de varejo dos Estados Unidos e pôr fim a uma década de jejum de
grandes fusões no setor bancário. 

O negócio, inteiramente pago em ações, envolvendo US$ 28,2 bilhões, é a maior fusão entre bancos dos EUA desde que a crise financeira marcou o início de um regime de regulamentação mais rígido que manteve os bancos à
margem das grandes fusões e aquisições. As regras dos bancos afrouxaram consideravelmente após a vitória eleitoral do presidente Trump, em 2016, o que levou alguns a preverem uma onda de concentração de capital entre bancos de menor porte. 

O negócio ocorre num momento em que os bancos regionais enfrentam dificuldades para concorrer com os grandes bancos nacionais americanos, como o J.P. Morgan Chase e o Bank of America. Os maiores bancos americanos, que não podem comprar outros bancos devido ao seu porte, estão atraindo uma parcela maior das novas contas correntes, num momento em que os consumidores, especialmente os mais jovens de grandes cidades, são atraídos para produtos digitais. 

Embora os bancos regionais americanos tenham obtido um grande impulso, em termos de lucros, com o recente corte de impostos adotado nos EUA, a expansão dos depósitos foi fraca, o que pôs em xeque uma fonte fundamental de financiamento. Os depósitos do BB&T subiram 2% no quarto trimestre, comparado com o mesmo período do ano passado, enquanto os do SunTrust aumentaram 1%. 

O BB&T e o SunTrust informaram que a transação lhes permitirá desenvolver uma tecnologia melhor do que conseguiriam por conta própria, tornando-os mais atraentes junto a potenciais clientes. 

“O mundo está mudando e nós temos de mudar”, disse o executivo-chefe do BB&T, Kelly King. 

Os acionistas do SunTrust receberão 1,295 ação do BB&T para cada papel do SunTrust, o que representa um ágio de 7% com base no preço de fechamento das ações do banco na quarta. 

As empresas disseram que o negócio avalia a instituição resultante da fusão em US$ 66 bilhões. A transação é a maior fusão entre bancos nos EUA desde a aquisição, pelo J.P. Morgan, do Bank One, em 2004. A compra, pelo Bank of America, do Merrill Lynch, na era da crise, teve maior valor ao ser anunciada, mas seu valor despencou antes da concretização do negócio. 

Os bancos regionais têm sido os maiores beneficiários da legislação, aprovada pelos dois partidos, de abrandar as regras dos bancos e a ingerência dos órgãos reguladores adotada pelo governo Trump. O Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) anunciou, no fim do ano passado, uma grande reversão das regras bancárias, ao afrouxar as exigências de capitalização e de liquidez para bancos que dispõem de ativos na faixa dos US$ 250 bilhões aos US$ 700 bilhões. O banco resultante da fusão terá cerca de US$ 442 bilhões em ativos. 

A escolha do momento em que o anúncio foi feito é um sinal do ambiente regulatório mais favorável. O BB&T opera
atualmente sob um acordo com o Fed de melhorar seus controles antilavagem de dinheiro, uma situação que teria evitado, provavelmente, o avanço de um negócio desse tipo no governo Obama. King disse que o BB&T está nos “estágios finais” de conseguir a suspensão da determinação, e que ele não prevê que a ordem possa atravancar a aprovação regulatória necessária para o negócio. 

A fusão, muito provavelmente, determinará fechamentos de agências. Os bancos, que têm mais de 3.100 agências no total e cerca de 740 agências a 3,2 km de distância entre si, têm fechado endereços, num momento em que os clientes migram para produtos digitais. Os bancos preveem que a fusão será concluída no quarto trimestre e projetam que ela gerará cerca de US$ 1,6 bilhão em cortes de custos anuais. 

O novo banco, que ainda não tem nome, terá como sede a cidade de Charlotte, capital do Estado de Nova Carolina, que abriga o Bank of America e uma grande central do Wells Fargo. A fusão reúne dois bancos com longas histórias no sul dos EUA. O BB&T, sediado em Winston-Salem, na Carolina do Norte, tem uma cultura peculiar que estimula os funcionários a manterem diários de gratidão. 

O SunTrust tem laços profundos com sua base de origem de Atlanta. Seu nome presta homenagem ao novo estádio de beisebol da equipe Atlanta Braves. De 1925 até 2011, um de seus cofres-fortes mantinha o bem mais precioso da Coca-Cola, também sediada em Atlanta: a receita secreta da Coca-Cola. 

King, de 70 anos, será o primeiro executivo-chefe. O executivo-chefe do SunTrust, William Rogers Jr., de 61 anos, será o presidente e o diretor operacional da empresa resultante da fusão após o acordo, e se tornará o executivo-chefe depois da saída de King, em 2021. 

Até recentemente, ambos os bancos tinham alardeado planos de crescer de forma independente. Mas os dois executivos, que se conhecem há anos, concluíram que uma combinação seria a melhor maneira de ambos os bancos se adaptarem à rápida transição por que passa o setor bancário.

Fonte: Valor Econômico

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