Banco alemão Helaba inicia operação no país

Um dos maiores bancos estatais da Alemanha, o Landesbank Hessen-Thüringen, mais conhecido como Helaba, está iniciando sua operação no Brasil. O Helaba abriu um escritório de representação em São Paulo, que será a base da operação para toda a América Latina.

O banco, fundado em 1953 e com sede em Frankfurt, tem atualmente 6,1 mil funcionários e 191 bilhões de euros em ativos totais. “Bancos que pertencem a municípios e estados são bastante relevantes no sistema financeiro alemão, onde instituições públicas têm 42% de participação do mercado bancário”, diz Gabriel Steiner, diretor do Helaba no Brasil e América Latina. No caso do Helaba, como seu nome aponta, o banco é das regiões de Hesse e Turíngia. “Esses bancos, inclusive o Helaba, são bastante ativos no financiamento a médias empresas.”

Esse é um dos caminhos que a instituição quer seguir no mercado brasileiro, atendendo empresas alemãs e europeias de pequeno e médio portes, que têm pouco conhecimento e acesso ao mercado brasileiro. No mapeamento do banco, são cerca de 1,5 mil empresas alemãs no país.

“A demanda de empresas pequenas e médias da Alemanha e países vizinhos por suporte na América Latina é crescente. Para um pequeno empresário alemão, pioneiro na indústria dele, vender um equipamento para uma empresa brasileira pode ser complexo”, diz Steiner. O Helaba quer fazer essa conexão entre as empresas. O financiamento à importação de máquinas é uma das principais linhas que o banco oferece.

“Nosso primeiro crédito no Brasil foi exatamente assim. Financiamos uma empresa brasileira na aquisição de um equipamento austríaco”, diz o executivo. “O que é interessante para o banco é que podemos financiar as duas pontas, o vendedor exportador e o comprador importador a custos europeus.”

Steiner considera que o grande diferencial do banco para crescer são as taxas, que variam de 3% a 5% ao ano. “No Brasil, as empresas estão acostumadas a ouvir números como esses referentes ao juro mensal em bancos comerciais”, compara. No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a taxa de referência, a TLP, é atualmente de 7,28% ao ano.

Os prazos do Helaba também são longos, entre 5 e 15 anos. Com esse perfil, a instituição faz também financiamentos imobiliários e de projetos na Europa. Para o Brasil, no entanto, esse não será o foco. “Além do financiamento a empresas brasileiras que estão fazendo negócios com companhias europeias e também do crédito no caminho inverso, temos uma terceira vertente relevante para o mercado brasileiro que é fazer mais negócios com os bancos locais”, diz Steiner. “O Helaba já fez algumas operações de trade finance com bancos brasileiros e queremos aumentar esse suporte a estruturações de operações.”

O executivo avalia que os empresários locais estão começando a tirar da gaveta os projetos de investimentos, o que abrirá espaço para financiamento de expansão e modernização de parques fabris e negócios relacionados a infraestrutura. “A perspectiva sem dúvida é positiva, já estamos vendo sinalizações em segmentos como embalagens e cosméticos”, exemplifica.

O banco não tem um volume predefinido de crédito para o país, apenas valor mínimo por transação. “Nosso valor mínimo de financiamento é de 3 milhões de euros, sem limite máximo. É uma diferença importante em relação a outros bancos estrangeiros, que preferem transações acima de 10 milhões de euros”, afirma Steiner.

A decisão do Helaba de entrar no mercado brasileiro não é oportunística. “A visão do banco é de longo prazo, não se trata de testar o mercado para ver se o Helaba fica aqui ou não”, diz Steiner, que veio de outro banco estatal alemão, o LBBW. “A decisão de atuar no Brasil foi tomada em 2014 e, desde então, o grupo vem preparando essa operação.”

Fonte: Valor Econômico

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