B2W avalia cindir operação da Ame Digital

A B2W, dona da Americanas.com e do Submarino, estuda separar o braço da Ame Digital de suas operações. O negócio foi criado há cerca de um ano e funciona como uma conta digital para o consumidor dos sites. A informação foi antecipada na sexta-feira pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

A possibilidade de criar um negócio com foco exclusivo em inovação e tecnologia, e que cresça por meio de uma operação autônoma, fez o comando avaliar o plano de cisão da Ame. Atualmente, a Ame opera dentro da B2W.

Caso o plano de separação seja concretizado, a Ame poderia, por exemplo, fazer parcerias com outras varejistas e  empresas, ampliando acordos e serviços. Dentro da B2W isso fica mais “complexo”, diz uma fonte a par dos estudos em curso. “A ideia é que todo esse módulo de inovação seja retirado da B2W, porque ele tem um valor que pode ser melhor capitalizado. Você cria um novo braço captador de recursos”, acrescenta a fonte.

Analistas têm questionado empresas de tecnologia e serviços sobre a separação de seus braços digitais – o Mercado Livre já foi perguntado sobre a cisão do Mercado Pago, mas descarta a ideia. Algumas empresas entendem que ganhos de sinergia compensam a integração.

Pelo modelo em discussão, numa nova estrutura acionária, a Lojas Americanas, controladora da B2W, também seria sócia indireta da Ame, com a B2W se mantendo como acionista. Na sexta-feira, em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre, analistas questionaram o comando da B2W sobre a atual estrutura societária da Ame, mas a empresa não deu detalhes. Informou que está “trabalhando” no tema e será feito anúncio assim que a questão for resolvida. A empresa não comenta o assunto.

A Ame funciona por meio de um aplicativo e, nele, consumidores podem finalizar a compra de produtos. Pela Ame, é possível pagar a compra de itens escolhidos nos sites da B2W e receber uma parte do dinheiro de volta (percentual sobre o valor do produto). O aplicativo também é aceito em lojas físicas da Americanas e, neste mês, começou a oferecer empréstimos aos clientes.

A operação é uma das primeiras iniciativas de uma nova empresa dos controladores da B2W, criada em março de 2018, a IF – Inovação e Futuro. A intenção com a IF é criar negócios que tenham sinergia com as estruturas da B2W e das Lojas Americanas.

Na sexta-feira, a B2W comentou o balanço do primeiro trimestre em teleconferência com analistas. A receita líquida recuou 13% de janeiro a março, para R$ 1,28 bilhão, e o prejuízo cresceu 19%, para R$ 139,2 milhões. Ambos os números tiveram desempenho pior do que analistas projetavam. A ação fechou o dia com a maior baixa do Ibovespa – caiu 6,5%, a R$ 33,80.

O desempenho fraco foi atribuído, em parte, ao fim do benefício fiscal da “Lei do Bem” sobre produtos de informática, que garantia a isenção de IPI e Cofins.

Sobre o efeito nas vendas e no lucro, o diretor Raoni Lapagesse disse que a empresa buscou, num ambiente de concorrência mais acirrada, “um equilíbrio para manter as ofertas competitivas aos clientes, sem comprometer a rentabilidade da operação”. A margem Ebitda da empresa, que mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, subiu um ponto, para 6,5%.

Excluindo os efeitos da “Lei do Bem”, o crescimento das vendas totais (“marketplace” e vendas próprias) teria sido de 25% no primeiro trimestre – a alta foi de 15,3%. Segundo a equipe de analistas liderada por Richard Cathcart, do Bradesco BBI, essa alta de 15,3% é menor do que a do Mercado Livre (18%) e do Magazine Luiza (50%). (Colaborou Raquel Brandão)

Fonte: Valor Econômico

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