Azul compra a TwoFlex e cria entrave para a Gol

A Azul assinou um contrato de oferta vinculante para adquirir a TwoFlex por R$ 123 milhões. Com a aquisição, a Azul terá pelo menos dois benefícios diretos: amplia de dificulta o plano de expansão regional da Gol, baseado em acordos de compartilhamento com empresas menores.

A Gol tem parceria com a TwoFlex desde abril de 2019 em 16 voos regionais no Norte e no Centro-Oeste. Na semana passada, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse que planeja expandir a oferta de voos regionais neste ano com voos próprios e com parceiros, como TwoFlex e VoePass. Com a compra pela Azul, a TwoFlex terá que encerrar o acordo de compartilhamento de voos com a Gol.

John Rodgerson, presidente da Azul, disse que começou a negociar a compra em outubro de 2019. O valor será pago em dinheiro, com recursos do caixa. Os sócios da TwoFlex, – Rui Thomaz de Aquino, Anderson Davo e Luiz Eduardo Falco – deixarão a empresa após a compra. A Azul ainda não definiu o que será feito com a marca TwoFlex. “Acho que a empresa precisa de um nome mais próximo da Azul, mas ainda não há nada definido a respeito”, disse o executivo.

Rodgerson disse que espera a conclusão do processo de diligência na TwoFlex para concluir a compra. “Os números da TwoFlex são saudáveis, a frota de aviões é própria e têm muito valor”, afirmou. A Twoflex possui 17 aviões modelo Cessna Grand Caravan, turboélice regional monomotor com capacidade para nove passageiros. A empresa oferece serviço regular de passageiros e cargas para 39 destinos no Brasil, dos quais três são atendidos pela Azul.

“A aquisição ajuda a fortalecer a Azul. Existe muito mercado sub-regional no Brasil. Muitas cidades não comportam um ATR [modelo de avião], mas existe demanda para um avião menor. Com a compra podemos estimular mais esse mercado”, disse Rodgerson. O executivo acrescentou que, após a compra, vai avaliar a rentabilidade das rotas oferecidas pela TwoFlex antes de fazer mudanças.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de janeiro a novembro de 2019, a TwoFlex transportou 13,9 milhões de pessoas, 8,1% a mais em relação a igual intervalo de 2018. Sua participação de mercado não chegou a  0,1%. A Azul tem fatia de 23,6%, atrás da Gol (37,6%) e Latam (34,3%).

As empresas regionais tornaram-se alvo de aquisições desde que a Anac redistribuiu os horários de pousos e decolagens (slots) que eram usados pela Avianca Brasil nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos (SP) e Galeão, no Rio. O maior interesse das aéreas era obter slots para fazer voos ligando Congonhas ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Em Congonhas, a Azul ficou com 15 slots, a Passaredo com 14 e a MAP com 12. No mês seguinte após a distribuição, Passaredo e MAP se uniram, formando a VoePass. A TwoFlex, tem 14 slots na pista principal e conseguiu mais 14 na pista auxiliar, que é para aviões menores. A empresa tem usado esses slots para voos à Barra da Tijuca, no Rio, com os aviões Cessna Caravan.

Com TwoFlex, a Azul aumenta em 34% o número de slots em Congonhas, para 55, um número pequeno ante a Latam, que possui 236 slots, e a Gol, com 234. Mas é uma expansão na rota mais rentável do setor.
Rodgerson disse ainda que os planos de expansão anunciados no fim do ano estão
ampliar em 20% o tráfego de passageiros em 2020, para 30 milhões de pessoas, e espera receber 31 aviões, chegando a 151 aeronaves.
Fonte: Valor Econômico

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