Avaliando Empresas e Oportunidades

Meu foco está em discorrer sobre um perfil de companhia. Empresa de médio porte, capital fechado, histórico e cultura familiar. Fato é que cada vez está mais difícil avaliar uma empresa e, por consequência, uma boa oportunidade. Não falo aqui dos métodos tradicionais que trazem a valor presente, projeções financeiras futuras. Não falo aqui de avaliação patrimonial, de aplicações de múltiplos e taxas de crescimento. Basta se contratar uma consultoria financeira ou uma empresa de fusões e aquisições para se ter um laudo de avaliação neste sentido.

O mundo atual em constante transformação está colocando em risco modelos de negócios tradicionais. Planejamentos estratégicos são revistos cada vez em menor tempo, ajustes constantes na operação e o desespero em se tornar uma empresa inovadora. Como avaliar isto, numa operação de compra e venda? Toda empresa tem ou deveria ter um bom capital humano, ideias e insights sobre novos projetos, melhorias em processos e sugestões de novos serviços e produtos ligados ou não a sua atividade-fim.

Steve Blank, professor da Universidade de Stanford e uma das grandes referências em empreendedorismo e inovação lembra que as empresas inovadoras têm consciência que seus modelos de negócios vão durar pouco tempo e por isso precisam pensar sempre em diferentes formatos de atuação. Como avaliar hoje uma empresa a ser adquirida? Como avaliar seu modelo de negócio? Corre-se o risco da empresa em questão, ao invés de crescer e gerar riqueza, desaparecer nos próximos anos, sendo engolida por novas tecnologias, tendências, comportamentos, ou, na melhor das hipóteses, ser relegada ao esquecimento. Mais que números, balanços, fluxos financeiros, temos de estar preparados em esmiuçar as tendências, as sinergias com o mercado, as barreiras de entrada do negócio, a criação de valor e o valor da criação.

Uma regra não vai mudar: a construção de uma avaliação técnica não corresponde efetivamente ao preço do negócio. É mero valor de referência. Quem dá efetivamente o preço é o mercado, em determinado momento histórico, frente oferta e demanda. Nesta dinâmica de identificação de oportunidades e criação de valor pode-se pagar caro por uma empresa que logo ali perderá sentido para o mercado ou pode-se pagar barato, por saber aproveitar ativos (projetos, matrizes, capital humano, canais e tendências), pouco aproveitados hoje pelos atuais donos. No mundo das fusões e aquisições, portanto, dinheiro atualmente é só uma das pontas dessa história.

Fabricio Nedel Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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1COMENTÁRIO
  • CLAUDIO MAINES
    21 de junho de 2017

    Como de costume é preciso ressaltar o valor humano das organizações. Ainda é o diferencial no sucesso e perenidade da empresa. Infelizmente, principalmente nas empresas familiares, esta riqueza ainda esta longe do ideal. Podemos até dizer que esta difícil no mercado o profissional qualificado , responsável e ético. MAS NÃO PODEMOS FUGIR DAS FUSÕES E AQUISIÇÕES É A BOLA DA VEZ.

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