A arte das Fusões e Aquisições

Existem bons negócios no mercado empresarial. Dificil não é identificar as oportunidades. Dificil é levar o processo até a conclusão da operação. É engraçado ver a comemoração realizada quando operações dessa natureza são fechadas. É equivocado pensar que ali apresenta-se o fechamento do negócio, pois, em realidade, o processo está apenas iniciando.

Uma fase de transição operacional, condições a serem cumpridas, realização de due diligence são exemplos de procedimentos que se seguem após o fechamento do negócio e onde conflitos surgem por interesses antagônicos, culturas e visões diferentes. Muitos negócios celebrados entre empresas tombam nesta fase. Penso em sugerir uma segunda comemoração quando do término do cumprimento das condições do contrato, o que pode demorar dois, cinco ou dez anos.

Não importa, em cada fase cumprida deve haver sim a comemoração entre comprador e vendedor, os quais evitaram advogados, câmaras arbitrais e o Judiciário para resolverem os seus problemas e impasses negociais. Não esqueçamos, como exemplo, que a memorável disputa entre Abilio Diniz e o grupo francês Casino pelo controle do Pão de Acuçar consumiu milhões de reais, entre advogados, consultorias e ações judiciais. Um desgaste monstruoso compatível com o tamanho da operação. Na realidade, sabemos como vamos iniciar um processo de M&A, quando as partes se acertam, frente as sinergias e interesses entre as empresas e seus acionistas.

Mas sinceramente nunca sabemos como o processo vai acabar. A soma de noticias boas versus noticias ruins pode dar o tom da evolução tranquila ou turbulenta de um negócio. Esqueletos fiscais e contábeis que possam surgir no meio do caminho, disputas internas ou familiares, desaquecimento do mercado em que a empresa está inserido, habilidade dos jogadores, barganhas e concessões demonstram que o caminho é longo, desafiador e tortuoso.

Em momentos em que há muitos empresários querendo vender suas companhias e há pouco investidor disposto a fazer aquisições é bom lembrar duas máximas em termos de precificação e avaliação do negócio:“A determinação de valor das empresas é o fator chave no M&A e tem como objetivo estimar uma faixa de referência que sirva como base nessas negociações” (Materlanc, Roy, Pearson). Ainda: “A avaliação certa é aquela que comprador e vendedor concordam no preço” (Joseph Krallinger). O preço do negócio, portanto, é ditado por diversas variáveis de mercado e, na maioria das vezes, não é o preço que o vendedor almeja.

Avaliar uma empresa é uma arte. As diversas metodologias possíveis, com aplicação de ciência e fórmulas servem para apresentar um valor de referência, apenas. Serve como um kick-off para ir a mercado. Mas na prática a avaliação certa se dá pela convergência de interesses entre vendedor e comprador. Portanto, está na hora de quem vende entender com profundidade as necessidades e sinergias com o comprador-alvo e não o inverso. É o comprador que, em momentos de turbulência, terá de ser convencido de que fará um bom negócio.

Fabricio Nedel Scalzilli
Nello Investimentos

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