Aquisições entram no foco do setor de moda

Varejistas de vestuário aumentaram seu valor de mercado em R$ 5,5 bilhões no pregão de sexta-feira.

A expectativa de que fusões ou aquisições possam ocorrer no setor de moda no curto prazo faz as ações de redes varejistas voltarem a subir na bolsa, atingindo patamares registrados em novembro, quando a pandemia tinha perdido força. Além de uma possível nova proposta da Arezzo para combinar operações com a Hering, a Renner estuda uma oferta de ações robusta, abrindo terreno para uma eventual aquisição, e, segundo o Valor apurou com quatro fontes, a Dafiti busca comprador e já teria sondado líderes do setor e fundos de investimento nos últimos meses.

Procurada, a Dafiti, que vende artigos de moda na internet, disse que não comenta especulações de mercado. Renner, Riachuelo, C&A, Soma e Dafiti podem se envolver em eventuais negociações – alguns na ponta compradora, outros na vendedora, dizem investidores e gestores.

Na quarta-feira, a Hering informou ter recebido uma oferta de combinação de negócios da Arezzo. Na sexta-feira, o Grupo Soma confirmou que negocia a compra da Shoulder. No mesmo dia, o Pipeline, site do Valor, informou que a Renner estuda uma oferta de ações de R$ 4 bilhões (ver abaixo).

Ao longo do pregão na sexta-feira, as nove cadeias de moda de capital aberto ganharam R$ 5,5 bilhões em valor de mercado, calculou o Valor Data – R$ 3,97 bilhões referem-se apenas à Renner. Guararapes, dona da Riachuelo, teve ganho de R$ 644 milhões.

Investidores passaram a reforçar as carteiras com papéis de Renner, C&A e Riachuelo nos últimos dias, resgatando a hipótese de a família controladora da C&A vender parte da operação brasileira, como informou o Valor em outubro – a empresa negou a possibilidade. Na sexta-feira também se falava em eventual combinação de negócios entre duas das “big four” – Renner, Riachuelo, C&A e Marisa.

“É natural que essas discussões entre investidores voltem agora, projetando aquilo que tem mais ‘match’ porque um eventual acordo entre Arezzo e Hering coloca um ‘player’ mais estruturado no setor e joga pressão sobre os demais”, diz um gestor que tem na carteira ações de Renner e Arezzo. Uma das dúvidas é como a Hering reagiria a uma nova proposta da Arezzo (ver abaixo).

Analistas e empresas do varejo de moda entendem que o setor caminha para uma maior concentração, em parte pela crise causada pela pandemia.

A C&A vê o mercado “bem dividido”, com empresas em melhor situação financeira e outras com mais dificuldades. Isso abre possibilidade de um aumento na consolidação por meio do avanço dos líderes, disse Paulo Correa, presidente da C&A, ao Valor. A empresa não comenta especulações ou rumores sobre seu negócio ou de concorrentes.

“Eu acredito mais na consolidação pelos grandes ‘players’, com um aumento de ‘share’ natural porque são empresas com diferentes condições, e nem todas estão preparadas para passar por esse cenário atual”, disse. “Nós temos uma situação mais tranquila, mas acho que vamos ver um aumento de ‘gap’ no setor, com aquelas com mais dificuldades sentindo mais dificuldades sentindo mais”.

A C&A encerrou o ano de 2020 com dívida bruta de R$ 1,2 bilhão e montante de caixa e equivalentes de R$ 1,5 bilhão (entre abril e junho de 2020, a rede captou R$ 1,2 bilhão em notas promissórias e cédulas de crédito bancário) – o caixa líquido é de R$ 300 milhões.

Em março, as lojas físicas da C&A funcionaram o equivalente a 20% do horário normal, em média, voltando a patamares de abril de 2020 – em dezembro era 85% e janeiro e fevereiro, 75%.

Com a reabertura do comércio em São Paulo, e possível reabertura em Belo Horizonte, Correa calcula que pode ter 80% de suas lojas funcionando ainda neste mês. “Acredito que haverá uma recuperação da economia e do setor no segundo semestre, mas normalização mesmo [do setor de moda] só em 2022”.

Para Correa, o caminho da C&A passa por um aumento de investimentos para ocupar mercado. A empresa vai elevar os desembolsos neste ano em relação a 2020, com foco em tecnologia. Mais de um terço do total deve ir para essa área. Será o ano de maior investimento nesse segmento na história da empresa. No total, para todas as áreas, o investimento projetado é de R$ 600 milhões em 2021, mas esse valor pode ficar em R$ 450 milhões, por conta do cenário de incertezas no consumo. “A falta de visibilidade acaba deteriorando as expectativas. Inicialmente projetamos um valor de quase o dobro de 2020, que foi de cerca de R$ 300 milhões. Mas o cenário vem mudando e podemos adequar o montante”, diz Correa. “Considerando [um valor] mínimo e máximo, seria 50% de crescimento sobre 2020, pelo menos, podendo atingir até esses R$ 600 Milhões.

A C&A adotará automação robótica e softwares mais avançados para melhorar a gestão de estoques e a logística. Robôs levarão os produtos até o operador da mesa de montagem do pedido feito pelo consumidor, pela internet. Isso vai acelerar a entrega.

Fonte: https://valor.globo.com/

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