Aquisição em 2018 pode dobrar o tamanho da operação no Brasil

A NEC se prepara para fazer uma nova aquisição no Brasil no ano que vem. A ideia é fechar negócio com uma companhia de nicho, que permita complementar o mix de produtos e serviços. As áreas de interesse são segurança digital, tecnologia aplicada ao varejo e telecomunicações, ou até negócios relacionados à captação e análise de grande quantidade de dados (“big data”) e inteligência artificial.

Em agosto do ano passado, a multinacional comprou a Arcon, uma das maiores empresas brasileiras de segurança cibernética, como parte de seu plano de diversificação dos negócios. Hoje dois terços da receita vêm do fornecimento de equipamentos e serviços para operadoras de telefonia, como sistemas de transporte e transmissão de dados. No mundo, a área de telecomunicações representa cerca de 20% do faturamento.

Em pouco mais de um ano, a aquisição da Arcon, que envolveu R$ 60 milhões, gerou R$ 100 milhões em vendas para a NEC no Brasil, desempenho que credencia a filial para receber novos aportes da matriz, segundo Daniel Mirabile, CEO da multinacional no país.

Nessa nova compra, o salto pode ser maior. Mirabile afirmou que está olhando dois possíveis alvos. “Uma empresa é do mesmo porte da Arcon e a outra é quase do nosso tamanho”, disse, ressaltando que as conversas são iniciais e ainda não há qualquer decisão a respeito. “Estamos na fase do namoro.”

A depender da “noiva” escolhida, o plano de dobrar o tamanho da filial até 2020 pode chegar bem antes. No ano fiscal encerrado em março de 2017, a NEC apurou uma receita líquida de R$ 404 milhões no país, um crescimento de 4% sobre os 12 meses anteriores.

No atual exercício, até março de 2018, a expectativa é chegar a R$ 430 milhões, apenas com crescimento orgânico, sem considerar as operações da Arcon. Com elas, segundo Mirabile, o montante sobe para mais de R$ 500 milhões.

Ele não revela quanto pode investir na nova aquisição, apenas que a matriz destinou US$ 1 bilhão para compra de empresas no mundo no atual ano fiscal.

Mirabile não revela o número, mas afirma que a filial brasileira tem lucro. “Isso para os japoneses não está mais em discussão. Agora querem saber o quão rápido eu consigo crescer.” Após chegar à filial brasileira vindo da Nokia, ele comandou uma reestruturação em meados de 2014, que devolveu a operação ao azul em 2015. A operação vinha mostrando prejuízos sucessivos. A reorganização envolveu corte de custos, redução de pessoal e ampliação do portfólio.

Segurança digital, como mostra a aquisição da Arcon, é um dos principais focos para alavancar o desempenho da empresa. Em três anos, a NEC pretende liderar o segmento na América Latina, afirmou Masazumi Takata, CEO da companhia para a região. Significará disputar espaço com gigantes do setor, como a IBM.

Os novos negócios ajudaram a companhia a compensar os efeitos da recessão no Brasil este ano, que afetou duramente as operadoras de telecomunicações, suas principais clientes. Um exemplo é o uso da tecnologia de reconhecimento facial para evitar fraudes na hora de obtenção de crediário no varejo e na contratação de aluguel de carros em locadoras. Um sistema desenvolvido em parceria com a brasileira CredDefense já funciona em 40 mil pontos de venda no país.

Na semana passada, Mirabile esteve em Tóquio, na feira de lançamentos da NEC, em busca de novidades para o mercado brasileiro. “É o meu supermercado para escolher os produtos do futuro”, disse. A ideia é compartilhar parte dos conceitos com possíveis clientes e desenvolver pilotos, que depois podem se transformar em linhas de negócio. As aplicações são “tropicalizadas” para atender as demandas locais. “A biometria é vista como uma solução para segurança pública no mundo inteiro. Aqui, nossa aplicação é focada em fraude.”

Ele pretende trazer ao país, por exemplo, um totem de reconhecimento facial, com câmera e software integrados, como alternativa para companhias aéreas acelerarem o check-in de passageiros. “A eficiência no embarque é essencial. Para as companhias aéreas, aeronave parada é dinheiro jogado fora”, afirmou.

Outra possibilidade será mostrar avanços nas tecnologias de reconhecimento de som e íris, para complementar a oferta na área de segurança. A empresa já vende sistemas de vigilância com câmeras capazes de fazer reconhecimento facial no país.

Fonte: Valor

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