Aqua acelera aportes para faturar R$ 1 bilhão com queijos

Quase um ano após estrear no mercado de queijos com a aquisição do laticínio catarinense Lac Lélo, a gestora de fundos de private equity Aqua Capital intensificou os investimentos no segmento para criar um negócio capaz de faturar cerca de R$ 1 bilhão por ano.

Além da compra da participação majoritária na Lac Lélo, que atua no Sul do país com foco em queijos muçarela e prato, a Aqua ampliou o raio de atuação nesse mercado no fim do no ano, com a compra do controle da mineira Cruzília, que produz queijos finos como o gorgonzola.

Juntas, Lac Lélo e Cruzília faturam pouco mais de R$ 300 milhões anuais. “A conta é simples. Sempre olhamos com a missão de triplicar”, afirmou Fábio Medeiros, diretor da Aqua responsável pela negócio de queijos, ao Valor. “Gostaria de uma plataforma de R$ 1 bilhão”.

Para alcançar suas ambições, a Aqua está investindo R$ 50 milhões na ampliação da capacidade das empresas adquiridas. Os aportes incluem a duplicação da fábrica da Lac Lélo em São João do Oeste (SC), próximo da fronteira com a Argentina, e também da unidade da Cruzília, que fica no município mineiro de mesmo nome. Os investimentos incluem o novo centro de distribuição da Lac Lélo em Gaspar (SC), inaugurado no dia 31 de janeiro.

O foco da Aqua é o crescimento dos negócios adquiridos, mas novas compras estão no radar. Segundo o executivo, uma das possibilidades é a gestora ingressar em queijo parmesão, produto ainda fora do portfólio de Lac Lélo e Cruzília. “É algo que precisa pensar. Temos um exercício a fazer nesses próximos meses”, disse. Outra possibilidade é a aquisição de empresas no Uruguai e na Argentina. A Aqua tem mandato para investir na América do Sul.

Já investimentos em leite longa vida estão descartados, indicou Medeiros. O executivo conhece bem essa área. Ele comandava a divisão de lácteos da BRF no momento em que a então dona das marcas Batavo e Elegê ingressava em queijos para diluir o impacto da baixa rentabilidade do leite longa vida. Talvez por isso o longa vida esteja descartado.

De acordo com Medeiros, a taxa de crescimento das vendas de queijos será bastante superior ao do leite longa vida. “Cada vez mais o brasileiro perde esse hábito de tomar café da manhã com leite”, disse. Estimativa do Rabobank aponta que, em 2017, o consumo per capita de queijo foi de 63 litros equivalentes ao leite. O consumo somado de leite longa vida e leite em pó foi de 60 litros, enquanto o consumo de leite fresco e leite pasteurizado foi de 5 litros.

Além da maior rentabilidade, o consumo tende a aumentar na medida em que o consumidor conhecer novas variedades, afirmou Medeiros. Segundo ele, a Cruzília é um exemplo de que o brasileiro pode consumir mais queijos. “No pé da Serra da Mantiqueira, você consegue fazer um queijo mofo azul que compete com qualquer queijo internacional ao mesmo tempo em que tropicaliza esse queijo para o paladar brasileiro”, disse ele, citando prêmios recebidos pelos queijos da Cruzília em festivais internacionais na Dinamarca e na França.

Com a aposta em queijos, a Aqua pretende estar bem posicionada para o processo de consolidação desse mercado, que é extremamente fragmentado e pouco profissionalizado. A avaliação é que o interesse estrangeiro pela indústria brasileira de lácteos vai crescer. Multinacionais de lácteos já presentes, como a suíça Emmi, possuem uma participação no país aquém do potencial. Outras, como a mexicana Saputo, ainda devem ingressar no país.

Nesse cenário, a Aqua pretende construir uma “plataforma” que, dentro de cinco ou seis anos, possa ser vendida oferecendo uma vantagem para os possíveis compradores. Hoje, as fusões e aquisições no mercado de queijos — e de lácteos em geral — esbarram na “escassez de ativos organizados”, afirmou Medeiros, em alusão aos conflitos familiares nesse segmento.

Fonte: Valor Econômico

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