Apresente-se ao Investidor!

No mercado circulam bons projetos e boas empresas à venda. A maioria deles, no entanto, não consegue acessar investidores. Os fatores são os mais variados. Muitos fundos de investimento e grupos profissionais de investidores, mesmo numa economia desaquecida, não precisam se movimentar muito para ter acesso à volume de oportunidades. Aqui já começa o problema. Volume não quer dizer qualidade.

Cada investidor tem uma metodologia de análise e uma tese de investimento para determinados segmentos. Um negócio concorre e busca a atenção do investidor com dezenas ou centenas de outros projetos ao mesmo tempo. Aquele com mais fundamento, riqueza de dados e sentido, naturalmente terá prioridade na análise.

Digo que alguns executivos do mercado financeiro são até mesmo simplistas ou, no mínimo, entram no modo automático de análise de negócios e projetos. Têm sobre a mesa operações de milhões ou bilhões de reais, mas não saem do escritório para ir à campo realmente conhecer a companhia-alvo, os seus diferenciais competitivos e a cultura que permeia a empresa. Digo que grandes operações mal sucedidas começam a se formar já nesta fase, por falta de profundidade e um olhar mais amplo do negócio. Oportunidades naturalmente passam à frente de investidores que não vislumbram diferencial ou atratividade alguma. Outros, no entanto, com visão mais aguçada, entram na empreitada, a qual no futuro vira case de sucesso.

Focamos investidores em documentos e números, dados e informações, as quais são imprescindíveis, mas não menos importantes do que conhecer a fundo a empresa, a sua história, o grupo de executivos e influenciadores, a qualidade da estrutura física e tantos outros ativos intangíveis (e por que não passivos ocultos) que serão descobertos somente no mundo real, de dentro da empresa ou fora do escritório. Este cenário dificulta a vida das empresas e empreendedores que querem uma oportunidade para apresentar o seu negócio. A culpa de forma alguma é do investidor, de como ele pensa ou age. Ele possui os recursos e os aporta como bem entende, dentro de condições e premissas religiosamente definidas.

Neste contexto, entender que o processo não é simplesmente uma operação de venda e sim uma construção de uma oportunidade a ser levada ao mundo investidor é fundamental. Construir uma tese de investimento em volta do negócio, apresentando e defendendo os diferenciais competitivos, as barreiras de entrada, os modelos de negócio e de monetização e as tendências para o crescimento são premissas básicas. Não é fácil, mas é o único caminho para aguçar a curiosidade do investidor profissional.

Importante ainda demonstrar claramente os riscos inerentes ao negócio e de forma alguma escondê-los. Toda empresa sofre com riscos internos e externos e os investidores sabem disso. Querem  apenas saber com transparência quais são, principalmente na visão de quem está dentro da operação. Isso passa credibilidade ao projeto de venda da companhia. Informar crescimentos irreais, apresentar só informações positivas, supervalorizar ativos intangíveis e, pior, fazer auto elogio é levar ao mercado o mais do mesmo. O mundo das fusões e aquisições, em especial, para as médias empresas, é novo no país e tem muito para amadurecer. É melhor que então comece com atitudes do próprio empresário que quer ser investido ou vendido. Não espere que o dono do dinheiro faça isso pela empresa.

 

Fabricio Scalzilli
Nello Investimentos

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