Antes da Venda, o Preço!

A decisão pela venda de uma empresa já não é fácil por diversas variáveis pessoais, sentimentais e de mercado. Mas superando os obstáculos e tendo clareza no processo, em algum momento o empresário vai se deparar com a questão do preço. A natureza humana é complexa. O Preço em muitos casos é atrativo, a proposta é boa, resolve a vida do empresário, filhos e netos, mas ele acha pouco. Sente que está perdendo e, ao extremo, acredita que estão desvalorizando seu negócio. Certamente há outros fatores internos na cabeça deste empresário que este deve superar para ir adiante no processo de venda, antes de colocar toda culpa no “preço”.

Mas o foco aqui é falar em precificação. A primeira e mais clara regra neste sentido é que avaliação técnica não é o preço em si. Este caberá ao mercado definir em determinado momento histórico. Naturalmente a avaliação ancora este preço, dentro de premissas do negócio, histórico e dados financeiros e track records (casos similares de venda dentro de segmentos e perfis semelhantes que foram realizadas a pouco tempo, para se trabalhar comparações).

Avaliar uma empresa, antes de se iniciar o roadshow com investidores é fundamental, até para se construir as condições de venda do negócio, principalmente no que tange ao preço mínimo, condições de pagamento, estruturação de uma conta escrow para gestão de passivos e riscos, ganhos futuros em cima de metas batidas, dentre outros fatores.

Há diversas formas de se avaliar uma empresa que podem envolver vários indicadores, e premissas, expectativas futuras, riscos e peculiaridades do segmento econômico.

Uma das mais usuais é a avaliação baseada no Fluxo de Caixa Descontado, com foco na construção e análises dos fluxos de caixa futuro da empresa. Valoriza-se aqui a perpetuidade (valor terminal), cálculo que deve ser feito após as projeções futuras de crescimento ou retração do negócio, trazido a valor presente, através do WACC, para se chegar ao custo médio ponderado do capital. O investidor, neste caso, quer enxergar a capacidade futura da empresa em gerar caixa.

Outro modelo utilizado é a Avaliação através de Múltiplos do Ebitda, que indica o lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações. O foco está na capacidade operacional da empresa em gerar caixa (valor bruto), sem considerar depreciações, despesas financeiras e impostos sobre lucros, se existirem.

Nestes casos, para atender as expectativas dos vendedores, pode-se aplicar ainda uma regra de “earn out”; ou seja, um pagamento adicional, caso certo nível de Ebitda for atingido, deixando assim o vendedor comprometido com o resultado da empresa por um determinado tempo e fortalecendo a transição, por exemplo.

Por fim há outras metodologias, com foco mais nos ativos da empresa, independente da geração de caixa. Temos a Avaliação Patrimonial, baseada no balanço patrimonial contábil e o EVA – Economic Value Added, como exemplos; ou seja, a avaliação é realizada com base no lucro econômico. Nesta situação, o custo de capital de terceiros e, principalmente, o custo do capital dos acionistas são levados em conta nessa metodologia.

Independente da forma de avaliação, o fator tempo e necessidade do vendedor por capital irá influenciar o preço. Se em determinado momento histórico, após conversa com um número mínimo de interessados, as ofertas ficarem entre 15% a 20% abaixo da avaliação, naquele momento, o mercado está respondendo que àquele é o preço do negócio. Caberá ao empresário recuar e tirar a oferta do mercado, aguardando um momento melhor ou realizar o negócio, nas melhores condições apresentadas pelos investidores, frente as propostas existentes.

Fabricio Nedel Scalzilli

Nello Investimentos

Gostou? Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
NENHUM COMENTÁRIO

ESCREVA UM COMENTÁRIO