Analistas preveem lucro em alta no 3º trimestre

A força das commodities e a contínua disciplina das empresas permitirão que os resultados se mantenham firmes no
terceiro trimestre, principalmente em termos operacionais. No entanto, as incertezas políticas e as dificuldades próprias de alguns setores devem desacelerar o ritmo desse crescimento.

As quatro casas de análise ouvidas pelo Valor estão otimistas em suas projeções, com destaque para o banco Morgan
Stanley, que chega a estimar um aumento de 128% para a média do lucro das empresas de capital aberto, ante o terceiro trimestre de 2017. Em seguida, o Itaú Unibanco prevê que a última linha dos balanços chegue a dobrar no período, na mesma base de comparação. O universo de cobertura da duas instituições é de 63 empresas.

Na linha da receita, o Morgan Stanley projeta alta de 9,3% e o Itaú, de 19,6%.

Para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), as projeções são de 48% e 41%, respectivamente.

Já na ponta mais baixa, estão as estimativas do Santander e BTG, com 93 empresas analisadas cada um. O Santander calcula um crescimento no lucro de 15,6% e o BTG, de 14,1%.

Para o Ebitda, o Santander prevê um avanço de 30,4%. A instituição não fez estimativas para a receita. O BTG vê um
crescimento de 16,3% na receita e de 14,1% no Ebitda.

Numa versão que desconsidera as projeções para a Petrobras e Vale, devido ao tamanho das duas empresas, a média das previsões de duas casas de análise apontou queda nos lucros. Nesse novo recorte, o Santander espera uma queda de 15% e o Itaú um recuo de 9% nas últimas linhas do balanço. O BTG e o Morgan Stanley mantiveram projeções de alta para esse indicador, de 15,5%, e 27%, respectivamente.

Depois de um segundo trimestre de dificuldades decorrentes de efeitos extraordinários relacionados à Copa do Mundo e à greve dos caminhoneiros, os analistas consultados pelo Valor acreditam que o susto já passou e, que mesmo com um ambiente de incertezas políticas, a tendência ainda é de lucro crescente.

Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial Research, afirma que as companhias ainda estão sentindo os efeitos positivos da desalavancagem financeira gerada pela reacomodação de suas estruturas de dívida em um período estendido de taxa de juros baixa. “Isso tende a puxar os lucros para cima, sem contar que a base comparável ainda é ruim.”

Para Magali Bim, cogestora de renda variável da corretora Genial Investimentos, os resultados ainda estão sendo
impactados de forma positiva pelo processo de alavancagem operacional iniciado no primeiro trimestre pelas companhias. “Com isso, veremos margens maiores também”, afirmou.

O Santander espera que 58% das empresas do seu universo de cobertura registrem crescimento do lucro líquido acima da inflação. De 17 setores analisados, oito devem mostrar expansão de dois dígitos no lucro.

Para o banco, o destaque serão as exportadoras e companhias cíclicas globais. Esse grupo deve apresentar alta de 46% no Ebitda, na comparação anual, ao passo que as empresas domésticas devem mostrar aumento de um dígito nesse indicador.

Setor de matérias primas foi beneficiado tanto pelo aumento nos preços das commodities como pela
depreciação no real 
Dessas empresas, a Gerdau foi a mais citada pelos analistas. O Itaú estima que a siderúrgica registre seu melhor resultado para o terceiro trimestre em dez anos, impulsionado pelos desempenhos no Brasil e nos Estados Unidos. “Esperamos que as siderúrgicas produzam uma melhora sequencial no Ebitda, guiada principalmente por maiores volumes de aço no mercado doméstico, alta dos preços do aço e do minério de ferro”, afirmou o banco, em relatório.

A indústria de matérias primas foi beneficiada no trimestre tanto pelo aumento nos preços das commodities como pela depreciação no real. A cotação do petróleo tipo Brent ficou em US$ 82,24 no fim de setembro, alta de 45%, na comparação anual. O minério de ferro teve alta de 10,2%, a US$ 68,40.

O dólar Ptax médio ficou em R$ 3,95 no terceiro trimestre, 25% acima dos R$ 3,16 do mesmo período do ano passado. O dólar de fechamento do período, usado para atualização das dívidas em moeda estrangeira das empresas nos balanços, chegou ao fim de setembro cotado a R$ 4,03, ante R$ 3,16, valorização de 27,5%, frente a um ano antes.

Já as companhias ligadas ao cenário doméstico devem apresentar discretas acelerações em linha com o ritmo da atividade econômica, da retomada da demanda interna e da confiança do consumidor.

Embora a retomada econômica não tenha exatamente paralisado, um cenário político mais instável e indicadores
econômicos mais fracos impediram que as empresas reportassem resultados melhores.

Por isso, Volpi, da Eleven, diz que o mercado deve ficar de olho na chamada “seletividade de fundamento”. “São aquelas empresas que trabalharam de fato em seus fundamentos sobre operações e fizeram a lição de casa em um ciclo agudo. Essas terão números melhores do que as que ficaram mais passivas.”

Nesse sentido, ele aponta como exemplos positivos a Natura, Magazine Luiza, Localiza e Movida. “Temos uma expectativa muito boa para a Natura. Ela fez uma captação muito grande para comprar a Body Shop e o mercado foi cético em relação aos efeitos. Mas o último resultado foi positivo e veremos mais resultados vindo das operações internacionais”, disse.

A grande decepção do trimestre foi o setor de educação. “Ele vem sofrendo com captações de alunos ainda fracas no ensino presencial, com uma saída gradual do programa Fies e com o contexto de competição muito forte. A Ser será uma das piores”, disse Magali.

O Itaú ainda vê um cenário desfavorável para as distribuidoras elétricas, afetadas pelas incertezas de perspectivas políticas e por um ambiente hidrológico difícil, com o déficit de geração das hidrelétricas (GSF) de 60%. Esses fatores devem prejudicar principalmente a Cesp, CPFL e Cemig.

De forma geral, no entanto, os resultados foram positivos e segundo Magali, os números ainda podem ser revisados para cima com o desfecho das eleições presidenciais e a reação do mercado.

Fonte: Valor Econômico

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