Analistas já preveem fim de ciclo de alta das ações nos EUA

A persistente queda nos mercados de ações dos Estados Unidos, o tombo do petróleo, a disparada da volatilidade e a valorização dos Treasuries e do dólar. Para analistas, esse conjunto de eventos tem enviado um claro recado a investidores à medida que se aproxima 2019: o mais longo período de altas da história de Wall Street está prestes a acabar.

Não se espera exatamente retração econômica, mas uma “recessão” dos balanços corporativos, de acordo com o Morgan Stanley. Em outras palavras, uma desaceleração expressiva do crescimento dos lucros, depois de um 2018 de recordes. E esse cenário já está gerando impactos nas ações, que caem quase 10% desde os picos recentes. Somado a isso, o petróleo recua 30% desde as máximas de outubro, também por temores de menor demanda, por causa da expectativa de esfriamento econômico geral.

“Já estamos em ‘bear market'”, diz em nota Michael Wilson, estrategista de ações do Morgan Stanley. Segundo ele, cerca de 40% das ações que compõem o índice S&P 500 acumulam quedas de, pelo menos, 20% desde os picos mais recentes.

Wilson chama atenção para uma estratégia de mercado que atualmente tem fracassado pela primeira vez desde 2002: a compra na baixa (“buying the dip”), ou seja, compra de ações que sofreram quedas expressivas. Mesmo durante a crise de 2008/2009 – a mais intensa desde a Grande Depressão de 1930 – essa tática funcionou. A reversão do “quantitative easing” para “quantitative tightening”, ou seja, de um processo de estimular a economia para apertar condições financeiras, seria a razão principal da falta de fôlego do mercado, que tem dificuldade para subir mesmo após quedas sequenciais.

Em 38 anos, a estratégia de comprar na baixa não funcionou em apenas quatro: 1982, 1990, 2000 e 2002. Nos episódios de 1982, 1990 e 2002, o fracasso foi acompanhado por recessão. Já em 2000 antecedeu uma recessão e um mercado baixista. “Em outras palavras, embora 2018 claramente não seja de recessão, o mercado está falando em alto e bom som que más notícias estão por vir”, diz o estrategista do banco, referindo-se ao que ele classifica de “recessão” nos balanços das empresas e de “forte” desaceleração econômica global.

Ontem, os mercados em Wall Street voltaram a sofrer fortes quedas, atribuídas aos mesmos temas das últimas semanas: preocupações sobre a evolução dos lucros das empresas, incerteza com a guerra comercial entre China e EUA e receios de altas de juros.

O S&P 500 fechou a terça-feira em baixa de 1,82%, aos 2.641,89 pontos. O Dow Jones caiu 2,21%, a 24.465,64 pontos. E o Nasdaq recuou 1,70%, a 6.908,82 pontos. O índice de volatilidade VIX, “proxy” do grau de nervosismo do mercado, subiu 11,84%. O petróleo caiu mais de 6% tanto nos EUA quanto na Europa, enquanto o dólar valorizou 0,65%. Apple entrou em “bear market” depois de três anos, o que deixa, pela primeira vez na história, todo o grupo FAANG nessa mesma condição ao mesmo tempo. O FAANG é formado por Facebook, Apple, Amazon.com, Netflix e Google (controlado pela Alphabet).

“Estimamos que o S&P 500 gere um modesto retorno absoluto de um dígito em 2019”, dizem estrategistas do Goldman Sachs, liderados por David Kostin, em relatório de perspectivas para 2019. O retorno ajustado pelo risco será menos da metade da média de longo prazo, segundo os profissionais, para quem os investimentos em renda fixa de curto prazo serão, pela primeira vez em anos, grandes concorrentes do mercado de ações, típico sinal de maior conservadorismo. (Com agências internacionais).

Fonte: Valor Econômico

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