Amgen vai comprar Otezla, da Celgene, por US$ 13,4 bi

A Amgen acertou ontem a compra do Otezla da Celgene, um tratamento para a psoríase e o mal de Behçet, por US$ 13,4 bilhões, permitindo à Bristol-Myers Squibb dar prosseguindo à sua gigantesca aquisição da Celgene, por US$ 90 bilhões.

A venda multibilionária da Otezla é a mais recente num setor que vem registrando uma quantidade incrível de negócios neste ano, iniciados no começo de janeiro quando a Bristol-Myers Squibb comprou a Celgene. Como parte desse negócio, a Bristol e a Celgene disseram esperar se desfazer de ativos para obter a aprovação reguladora.

“Esse acordo representa um passo importante para a conclusão de nossa fusão pendente com a Celgene”, disse Giovanni Caforio, presidente do conselho de administração e executivo-chefe da Bristol-Myers. O frenesi de negócios entre companhias farmacêuticas e de cuidados com a saúde registrado neste ano vem sendo em parte conduzido pelo desejo de venda de ativos considerados não essenciais ou a compra de medicamentos inovadores na medida em que drogas próprias se aproximam de perder a proteção de patentes. Os grandes grupos farmacêuticos querem se tornar um dos três maiores concorrentes em todas as categorias em que operam.

Até agora no ano, transações avaliadas em mais de US$ 700 bilhões foram acertadas no setor farmacêutico e de cuidados com a saúde, segundo a Refinitiv, incluindo a decisão da AbbVie de comprar a fabricante do Botox, a Allergan, por US$ 63 bilhões; a venda pela Pfizer de suas operações de medicamentos que perderam a proteção de patentes para a Mylan por US$ 9,5 bilhões; e a oferta hostil da Roche, por US$ 4,8 bilhões, da companhia de terapia por genes Spark Therapeutics. A aquisição da Celgene pela Bristol-Myers é a maior realizada no setor farmacêutico no ano até agora.

A Brystol-Myers também anunciou que pretende recomprar US$ 7 bilhões em ações, contra os US$ 5 bilhões anteriormente planejados. A decisão acontece depois de um forte desempenho dos negócios e acontecimentos clínicos encorajadores em suas linhas de produtos. Sob os termos do acordo, a Amgen comprará a Otezla e sua propriedade intelectual relacionada, mais quaisquer outros direitos e obrigações relacionados. O negócio também vai afetar os funcionários da Celgene que produzem o Otezla, que serão transferidos para a Amgen.

O acordo fechado ontem, que deverá ser concluído até o fim de 2019, ajudará a Bristol-Myers a desalavancar suas operações e manter sua classificação de investimento. A companhia contraiu bilhões de dólares em dívidas para financiar a oferta pela Celgene, com a agência de classificação de crédito S&P Global afirmando, também ontem, que deverá rebaixar a nota de crédito da companhia em um ponto, para “single-A”, mesmo com a venda do Otezla.

Geoffrey Porges, analista da SVB Leerink, disse que o negócio foi positivo para os investidores da Bristol-Myers, mas “ligeiramente negativos” para os acionistas da Amgen, porque o preço é maior que o esperado.

A Amgen tinha US$ 21,8 bilhões em caixa e investimentos no fim do segundo trimestre de 2019. Robert Bradway, presidente do conselho e presidente-executivo da Amgen, disse que a companhia pôde tirar vantagem de uma oportunidade apresentada pela consolidação do setor.

“Temos sidos pacientes no emprego de nosso capital e acho que esse negócio recompensa essa paciência”, disse ele em uma conferência telefônica.

A Amgen acredita que adquirir um grande medicamento vai reforçar seu fluxo de caixa e apoiar seus planos de pesquisa e desenvolvimento. A companhia de biotecnologia da Califórnia vem tendo um sucesso inicial com um candidato a medicamento que poderá tratar a mutação do gene KRAS, que pode causar câncer e antes era considerada intratável. Mas ela precisa investir em testes em escala muito maior para o candidato AMG510.

O Otezla teve vendas de US$ 1,6 bilhão em 2018 e a Amgen prevê pelo menos um crescimento médio das vendas de algo na parte baixa de dois dígitos nos próximos cinco anos. A Amgen disse que o medicamento vai agregar valor imediatamente ao seu lucro por ação ajustado a partir da conclusão do negócio. A companhia espera manter sua classificação de investimento.

O medicamento está aprovado para três tipos diferentes de doenças inflamatórias nos EUA e tem exclusividade de propriedade intelectual até pelo menos 2028 nos EUA, segundo informou a Amgen. Mas Porges disse que os investidores provavelmente verão com “ceticismo” a duração de sua proteção de patente por tanto tempo. 

A aquisição também deverá ajudar a Amgen em seus planos de expansão internacional, uma vez que ela foi aprovada em mais de 50 mercados fora dos Estados Unidos, mas lançada apenas em 32 deles. A Amgen já tem um medicamento significativo na categoria inflamatória, o Enbrel, que segundo ela, é complementar ao Otezla. A Amgen também está vendendo a Amgevita, uma versão biosimilar do medicamento anti-inflamatório Humira, na Europa.

Fonte: Valor Econômico

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