Alimentos saudáveis no radar do mercado de Fusões e Aquisições

Em 2017, o mercado de alimentos e bebidas saudáveis, no Brasil, movimentou aproximadamente 94 bilhões de Reais, o que colocou o país na quinta posição no ranking dos países que mais consomem produtos do gênero. Entre todas as categorias desse segmento, os alimentos orgânicos tiveram o maior avanço nos últimos cinco anos, com crescimento de 18,5% em volume de vendas.

O relatório The Top 10 Consumer Trends for 2017, publicado pela Euromonitor International, que verifica as tendências de mercado, notou uma inclinação dos consumidores pelos itens considerados saudáveis. Segundo a análise, 83% dos entrevistados estão dispostos a gastar mais para obter um alimento saudável, e 79% substituem produtos da alimentação convencional por opções mais saudáveis.

O crescimento do comércio de alimentos naturais impressiona no Brasil. Nos últimos cinco anos, as vendas avançaram a uma taxa média de 12,3% ao ano, enquanto no resto do mundo o percentual ficou, em média, em 8%. A projeção é que o mercado brasileiro de produtos saudáveis cresça anualmente 4,4% até 2021 – números que comprovam que a crise passa longe do setor.

Os movimentos mercadológicos nessa área não passam desapercebidos pelo mercado de M&A, que atrai investidores, fomenta joint-ventures e incrementa a expansão das lojas “verdes”, com a injeção de mais capital nas empresas. 

Exemplo disso é a Jasmine, que depois de ser adquirida em 2015 pela francesa Nutrition & Santé, subsidiária da japonesa farmacêutica Otsuka, abriu a segunda fábrica no Paraná, dobrando a capacidade de produção de alimentos funcionais e orgânicos e criando ainda uma linha de panificação sem glúten.

Carlos Wizard, ex-dono da rede de cursos de inglês que carrega seu sobrenome, também apostou no setor. Comprou a rede Mundo Verde, maior rede de lojas de produtos naturais e orgânicos da América Latina. Em abril de 2016, a Ambev também se posicionou no mercado, comprando uma fatia da Sucos do Bem. Em junho do mesmo ano, a Coca-Cola Company, com sua parceira mexicana, anunciou a compra da Ades, de bebidas à base de soja, da Unilever, por US$ 575 milhões. E, no fim de 2015, assinou a compra da mineira Verde Campo, de produtos lácteos. A Unilever, por sua vez, em outubro o ano passado, abocanhou a Mãe Terra, que fatura mais de R$ 100 milhões por ano.

As grandes companhias de alimentos processados têm encontrado dificuldade em desenvolver soluções a partir de seus próprios portfólios. Adquirir marcas independentes, tecnologia e conhecimento tem sido o caminho para oferecer identidade e autenticidade. Novos movimentos devem acontecer no setor em 2018. Fiquemos atentos!

Manuela Jardim Vilar
Executiva da Nello Investimentos

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