A Startup

Startups, principalmente as mais inovativas, geralmente navegam em águas turbulentas, sem grande visibilidade. Ou seja, possuem pouco ou nenhum passado de informações e indicadores que possam ser usados como norte comparativo para ajuste de suas estratégias. Em muitos casos ainda sequer possuem concorrentes no mercado e seus produtos e serviços sequer foram testados com um grau mínimo de confiança e escala.

Neste cenário, o tripé visão estratégica, plano de ação e governança deve estar alicerçado em três grandes premissas: a construção de um projeto de longo prazo, um time qualificado e fechado com o projeto e, com clareza, a definição dos critérios de sucesso para o negócio. Neste último item cuidado com o excesso de bajulação e pouca entrega e resultado.

Ganhar prêmios, estar na mídia e ser procurado constantemente por investidores – que ao final não aportam recursos – não é sinônimo de sucesso por si só. Para se protegerem destes riscos que podem tirar a empresa do rumo, importante ter claro os objetivos e um cronograma de trabalho.

Lançar protótipos, construir alianças com empresas estratégicas e pivotar o negócio são ações comuns que fazem parte de qualquer rotina de pequenas empresas inovadoras, mas em algum momento os seus produtos e serviços devem efetivamente ser lançados no mercado, ter uma utilidade clara e gerar receitas aos acionistas e investidores.

Claro que há startups para todos os perfis, inclusive as de cunho econômico-social, àquelas com soluções a frente do seu tempo e outras cuja a tecnologia e a própria empresa não aparecem, mas dão sustentação para outros negócios e ecossistemas inteiros.  Por tal motivo, o critério de sucesso para uma startup é uma das questões que deve ser constantemente debatida entre os sócios e os demais stakeholders.

O mercado vem amadurecendo com o tempo. Investidores não colocam mais recursos em qualquer projeto. Apostas aleatórias e aceitação de perda e prejuízo não vem mais sendo aceitos com tanta naturalidade. Governança, clareza de objetivos, time experiente, acesso a mercados-alvos, consistência nos indicadores financeiros e lógica na proposta de valor aos investidores, além de um pouquinho de sorte, podem fazer toda a diferença, criando uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso, que rapidamente pode fazer parte da história de qualquer empresa.

Fabricio Scalzilli

Sócio da Nello Investimentos

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1COMENTÁRIO
  • ivo antonio clemente junior
    11 de outubro de 2019

    Excelente artigo! Sempre converso com investidores de startups e grandes investidores do middle market brasileiro. O discurso cada dia é mais semelhante entre esses 02 tipos de investidores, a empresa (e ou startup) tem que ter um histórico de índices positivos como EBITDA, faturamento, market share, marca poderosa, autoridade, estrutura de governança enxuta, transparência e cultura organizacional forte. Sem essas consistências dificilmente as empresas receberão investimentos a partir de agora.

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