A decisão de vender sua empresa é a hora da verdade

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências” – Pablo Neruda

Talvez você conheça alguém que empreendeu com sangue, suor e lágrimas (concordo, é um pleonasmo!) ao longo de uma vida e chegou a hora de usufruir do que construiu. Decide vender – monetizar no jargão financeiro – seu negócio, mas encontra muitas dificuldades. De modo oposto, talvez você conheça alguém recém-formado que empreendeu e no período de poucos anos consegue alienar – total ou parcialmente – o seu negócio, tornando-se um
milionário e, talvez, venha a ser um investidor anjo. Injustiça? Sorte? Qual o mistério?

Neste breve artigo e alguns seguintes, tentarei abordar um conjunto de elementos suportadas por fatos e estudos na área de administração e economia, os quais apontam os melhores caminhos e escolhas para o sucesso de um empreendimento e sua pavimentação para a hora da verdade: sua venda1.

De modo geral, podemos dividir tais elementos em dois blocos basilares assumindo como meta viabilizar e maximizar o valor na hora da venda, total ou parcial, do negócio:

A. Da essência do Negócio

São pilares de criação de valor ao longo da vida do empreendimento e, naturalmente, impactam decisivamente a viabilidade e condições de venda do negócio: Propósitos e Estratégia, Modelo de Negócios, Governança Corporativa, Finanças Corporativas e Liderança & Cultura.

Trataremos destes pilares em outras oportunidades, mas apenas para ilustrarmos um impacto determinante para a venda ou atração de capital de um negócio, façamos uma breve reflexão. Suponha que empreendedores decidam criar valor para a sociedade através de determinado propósito e respectiva missão no setor de Tecnologia da Informação (TI), categoria hardware, digamos “notebooks”. Tal objetivo conduz a desafios imensos relativamente aos aspectos competitivos, tais como baixa barreira à entrada (de novos concorrentes) e necessidade de investimento para atualização tecnológica constante. Este contexto conduz à menor margem – na média global este setor apresenta algumas das menores! – e, consequentemente, menor fluxo de caixa futuros e retorno sobre o capital investido. É natural que o valor de uma indústria com foco neste setor tenha maiores dificuldades na hora de vender ou até atrair capital. Compare com uma outra empresa do mesmo setor de TI, categoria software, como a quase-monopolista Microsoft com margens elevadas e caminhando para o “cloud computing” em sua nova promissora fase. Muito mais atrativa, não?

Se o negócio está em uma indústria pouco atrativa, reinvente-o ou reinvente a indústria! Não seja mais do mesmo. Ou aceite a dificuldade de monetizar ou atrair capital para o negócio quando precisar.

B. Do processo de venda ou atração de capital

Embora a essência do negócio seja determinante para a capacidade de geração de valor e, consequentemente, contribui para “valuations” de venda melhores ou piores, o processo de preparação para a venda pode fazer a diferença no sentido de viabilizar e maximizar o valor de venda do negócio (ou permitir a atração de capital)2. Afinal, é hora de apresentar o ativo construído ao longo de anos com a correta técnica e cuidado.

A preparação para venda é um “projeto” – e assim deveria ser administrado – sem esperar que o sócio entrante se deixe levar por aparências. Os problemas devem ser identificados e soluções endereçadas de modo transparente, ainda que alguns destes problemas envolvam soluções societárias delicadas entre os sócios atuais.

Inclui-se no conceito trazido pelo substantivo “preparação”, a regularização – ou a minimização – dos problemas envolvendo as atividades da essência do negócio acima referida. Problemas que envolvam o modelo de negócio, pendências legais, trabalhistas, fiscais, societárias, gestão das equipes e processo de liderança, planejamento e controle financeiro, entre outros.

Adicionalmente, o Plano de Negócios que se pretende implementar e “vender” ao sócio entrante faz parte de tal preparação. O Plano deve-se pautar pela simplificação, transparência, racionalidade e boa técnica. Importante notar que todo este processo de planejamento e organização para a venda traz benefícios ao negócio, per se.

Não menos importante é a preparação e apresentação (com boa técnica e clareza) do negócio almejado. Desde a definição do(s) objetivo (s) da transação pretendida, passando pelo encaminhamento de problemas ou oportunidades de melhoria acima referidos, concepção e preparação do material relativo à “Tese de Investimento” a ser levada ao “roadshow”, estruturação do “dataroom” para as diligências e, muito importante, a quem apresentar e
respectiva estratégia de negociação.

Esses são elementos importantíssimos do processo de preparação para viabilizar a venda ou atração de capital com maior probabilidade de sucesso e maximização de valor e pode, até certo limite, compensar deficiências ou exponenciar pontos favoráveis da essência do negócio e seu valor intrínseco.

A ausência de planejamento e estratégia para o processo de venda é uma escolha do empreendedor. As consequências também. 

Envie suas dúvidas ou observações para o e-mail abaixo.

Vlamir Ramos
Co-CEO da Nello Investimentos. Economista, Advogado e Mestre em Economia. Executivo “CLevel” com mais de 30 anos realizando negócios no Brasil e no exterior.

vlamir@nelloinvestimentos.com.br

 

1 O racional vale também para a atração de capital via “cash – in”

2 Recomendo a leitura do meu artigo “10 dicas preliminares para maximizar o valor do negócio” no site abaixo ou
solicitação via e-mail.

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