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A Cultura Organizacional em Operações de Fusões e Aquisições.

É comum nas operações de fusões e aquisições, os compradores com seus consultores e advisors focarem na análise dos indicadores financeiros, tais como: geração de caixa, perfil do endividamento, patrimônio líquido e metodologia de avaliação de ativos. Paralelo a isto, a elaboração da due diligence tem como objetivo avaliar riscos em assumir a empresa-alvo, sejam eles fiscais, trabalhistas, ambientais ou societários, ocultos ou já contabilizados no balanço da empresa. É espantoso, no entanto, como os investidores ficam meses debruçados nesta seara, deixando para depois, como fato de menor importância ou até mesmo irrelevante, o entendimento quanto a cultura organizacional da empresa adquirida.

Temos de abordar aqui a importância do poder e da influência que pessoas em determinadas castas exercem na organização, podendo estas auxiliar, mas acima de tudo, atrapalhar ou até mesmo inviabilizar a integração entre companhias e seus colaboradores.

A expressão peculiar desta realidade está no poder que muitos assessores ou secretários(as) executivos(as) de presidentes e diretores exercem dentro da corporação. Além de possuírem muita informação e acesso a documentos, controlam a agenda do executivo máximo da corporação, ditando o ritmo de reuniões, pautando prioridades e até mesmo bloqueando o acesso de pessoas ao seu superior.

O comprador deve estar atento a esta realidade, fazendo uma leitura clara das forças e do jogo político que norteiam as relações humanas dentro da organização adquirida. Entender quem são os reais líderes que fazem a empresa produzir, como funcionam as individualidades e os esforços coletivos, onde e em quem se concentram os projetos inovadores, e tantas outras estruturas e relações sociais que devem ser analisadas, para evitar um choque cultural e aproveitar ao máximo as complementariedades. Sem isso, informações e documentos se perdem, pessoas qualificadas e de alto valor são dispensadas em detrimento de colaboradores medíocres ou de baixa produtividade e comprometimento. Como resultado, a transição que deveria demorar poucos meses adentra anos, com perda de sinergia e milhões de reais em jogo. Em um cenário mais extremo, operações de fusões e aquisições são desfeitas ou afundam, com prejuízo a ambos lados e geralmente não há vencedores.

Entendemos que para o sucesso dentro dessa jornada de M&A o mais importante é terem sinergia entre cultura e posicionamento, o que fortifica a relação e os demais processos andam naturalmente, dentro de um processo organizado.

Em operações de fusões e aquisições vale a máxima que diz que, invariavelmente, passamos mais tempo vivendo as consequências das decisões que o tempo tomando-as. Em qualquer caso, é bom lembrar, os efeitos da decisão vão ser sentidos durante muito mais tempo que o tempo que gastamos para tomar a referida decisão, independente de quanto tempo e esforço foram investidos. (Jeffrey Pfeffer, Entendendo o Poder nas Organizações).

 

Fabricio Scalzilli

CEO da Nello Investimentos

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